
O Birkat Hakohanim (Benção dos Sacerdotes) se encontra na parashat Bamidbar, Vers 24 a 26, quando Aaron e seus filhos abençoam o povo de Israel. Ainda que muitos nos dias de hoje erroneamente à praticam, a Birkat Hakohanim só deve ser realizada por apenas um judeu do sexo masculino, e que comprovem sua linhagem sacerdotal (Cohen/Cohanim).
Cada kohen ao realizar esta benção deve estar em estado sóbrio e não estar em período de Shiva [1]. Quando os kohanim são chamados para realizar o Birkat Hakohanim, todos devem fazê-lo. Aqueles que são kohanim e que não queiram fazê-la, devem sair da sinagoga durante a realização da bênção.
[1] – Estar em estado de Shiva (do hebraico שִׁבְעָה, que significa "sete") no judaísmo refere-se ao período de luto intensivo de sete dias observado pelos parentes de primeiro grau após o sepultamento de um ente querido. É uma das práticas centrais de luto no judaísmo, destinada ao conforto, reflexão e ao processamento inicial da perda.
Durante a realização desta bênção, nenhum congregante deve olhar para os sacerdotes (Cohanim). E em algumas comunidades é comum os congregantes colocarem seus talitot sobre suas cabeças e a dos seus filhos durante a recitação da benção.
Essa benção é usada também pelos askenazim para abençoar seus filhos no Kabalat Shabat antes do jantar. E também é pronunciada pelo rabino nas cerimônias de Bar Mitzvá [2] ou Bat mitzvá [3], podendo ser recitada também, para os noivos na hora do casamento.
[2] – O Bar Mitzvá é uma cerimônia judaica que marca a maioridade religiosa dos meninos aos 13 anos, tornando-os responsáveis por seus atos e mandamentos. Essa prática é traduzida como "filho do mandamento". O rito envolve a primeira leitura da Torá na sinagoga e o uso de tefilin.
[3] – O Bat Mitzvá ("filha do mandamento") é um rito de passagem judaica que marca a maioridade religiosa das meninas, que geralmente possuem 12 anos de idade. A cerimônia em si, simboliza a maturidade da menina, onde a jovem assume a responsabilidade de seguir os mandamentos (mitzvot) e se torna membra ativa da comunidade, frequentemente envolvendo a leitura da Torá.
Ao ser lido o Birkat Hakohanim pelo Chazan [4], na repetição da Amida, os congregantes respondem ao final de cada verso, com as palavras “Ken Iehi Ratzon” (que seja este o desejo divino!). Esta resposta é usada no lugar de "Amen", já que o Chazan está mencionando a benção, e não realizando um ritual.
[4] – Chazan (ou Hazzan) é o precentor ou cantor litúrgico treinado para guiar as orações na sinagoga. Ele possui uma voz treinada para cantar os textos hebraicos, auxiliando o rabino e conduzindo a congregação através das bênçãos (berakhot) durante os cultos.
Quando os kohanim realizam este ritual, os congregantes podem responder "Amen" após o término de cada frase. E muitos sefaradim costumam durante a benção feita pelos kohanim, dizer as palavras “Baruch Hu Baruch Shemo” após a menção de cada palavra “A-do-nai”.
A cerimônia de Birkat Kohanim é feita diariamente em Israel e pela maioria das comunidades sefaradim em todo o mundo, sempre durante a repetição da Amida de Shacharit e de Mussaf, quando houver. E nos dias de Jejum Público, o Birkat Hakohanim é recitado também durante a repetição da Amidá de Minchá.
Nas comunidades askenazim da diáspora, a cerimônia de Birkat Hakohanim só é realizada, normalmente, em Pessach [5], Shavuot [6], Sukot [7], Shemini Atzeret [8], Rosh Hashana [9] e Yom Kipur [10], e somente na Amidá de Mussaf [11].
[5] – O Pessach, errôneamente conhecida como a "Páscoa judaica", é uma das festas mais importantes do judaísmo. A festa celebra a libertação do povo judeu da escravidão no antigo Egito, narrada no livro do Sh'mot (Êxodo), marcando a transição da servidão para a liberdade sob a liderança de Moshê (Moisés), com intervenção divina. A palavra "Pessach" significa "passagem", uma expressão que vem do hebraico. Essa expressão se refere tanto à passagem da escravidão para a liberdade do povo judeu, quanto ao momento em que o anjo da morte "passou por cima" das casas do povo judeu durante a décima praga.
[6] – Shavuot, a "Festa das Semanas" ou "Festa das Primícias", é um importante feriado judaico que comemora a entrega da Torá por HaShem (Deus) a Moshê (Moisés) no Monte Sinai, ocorrida 50 dias após o Êxodo. Celebrado em Sivan (maio/junho), encerra a Contagem do Ômer e marca a colheita do trigo. Tradições incluem estudar a Torá, comer laticínios e ler o Livro de Rute.
[7] – Sukot, ou Festa das Cabanas ou dos Tabernáculos, é uma das principais festividades judaicas, celebrada por sete dias em Tishrei (setembro/outubro). Ela relembra os 40 anos de peregrinação no deserto após a saída do Egito, celebrando a proteção divina através da construção de cabanas temporárias (sucá) onde as refeições são feitas.
[8] – Shemini Atzeret ("Oitavo Dia de Assembléia") é uma festividade judaica bíblica celebrada no 22º dia do mês de Tishrei, logo após os sete dias de Sucot. Considerada um dia de intimidade espiritual entre Deus e o povo, marca o fim do ciclo de festas de outono, caracterizado por refeições festivas, ausência de trabalho e a recitação da oração pela chuva (Tefilat Geshem).
[9] – Rosh Hashaná, literalmente "cabeça do ano" em hebraico, é o Ano Novo civil Judaico, celebrado no primeiro dia do mês de Tishrei (setembro/outubro). Mais que uma festa, é um período de autoexame, oração e julgamento divino, marcando o início dos 10 dias de penitência (Yamim Noraim) que culminam no Yom Kipur.
[10] – Yom Kipur, o "Dia do Perdão", é a data mais sagrada e solene do judaísmo, ocorrendo no décimo dia do mês de Tishrei. É um dia dedicado ao arrependimento sincero, expiação de pecados e jejum absoluto de 25 horas, marcando o fechamento do "Livro da Vida", onde se acredita que Deus sela o julgamento de cada pessoa para o ano seguinte.
[11] – A Amidá de Mussaf é uma oração adicional recitada no Judaísmo durante Shabat, Rosh Chodesh (início do mês) e festivais, logo após a oração matinal (Shacharit). Ela substitui o sacrifício adicional que era oferecido no Templo de Jerusalém, contendo sete bênçãos (em vez das 19 diárias) focadas na santidade do dia e no retorno ao culto do Templo.
Em Simchat Torá [12], algumas comunidades askenazim fazem o Birkat Hakohanim durante o Mussaf e outras, durante o Shacharit, a fim de permitir que os kohanim possam participar do costume de ingerir álcool durante a leitura da Torá entre o Shacharit e o Mussaf.
[12] – Simchat Torá ("Alegria da Torá" em hebraico) é uma festividade judaica vibrante que celebra a conclusão e o reinício imediato do ciclo anual de leitura da Torá. Ocorre no oitavo dia após Sucot, marcado por danças, cânticos e procissões alegres com os rolos da Torá nas sinagogas, simbolizando a união e o amor pelo estudo.
Nos dias de semana e em Shabat a cerimônia de Birkat Hakohanim não é normalmente feita nas comunidades askenazim. O Birkat Hakohanim é apenas lido pelo Shaliach Tsibur. E essa cerimônia se inicia com os Levitas da Congregação lavando as mãos dos kohanim, que não as enxugam.
Depois os kohanim retiram seus sapatos, sem usar as mãos, e se não conseguirem fazê-lo, devem então remover os sapatos, antes de lavar as mãos.
Eles ficam em pé, entre o Aron Hakodesh [13] e a Bimá [14], voltados para o Aron Hakodesh. Cobrem a cabeça com seu talit, e com as mãos levantadas, recitam a bênção inicial. Depois fazem uma volta de 180 graus e ficam de frente para a comunidade, ainda com a cabeça coberta.
[13] – O Aron Hakodesh (em hebraico: אֲרוֹן קֹדשׁ, "Arca Sagrada") é o local mais sagrado na sinagoga, um armário ornamentado que abriga os Sifrei Torá (rolos da Torá). Posicionado na parede voltada para Jerusalém, ele representa o Santo dos Santos do antigo Templo, sendo o ponto focal das orações e aberto apenas em momentos solenes.
[14] – A bimá (em hebraico: בּימה, "plataforma") é o pódio ou mesa elevada na sinagoga de onde a Torá é lida durante os cultos. Ela representa o centro da vida comunitária e ritual, simbolizando o altar do antigo Templo de Jerusalém e garantindo que todos ouçam os ensinamentos, comumente localizada no centro ou na frente da congregação.
À medida que cada palavra é recitada pelo Chazan, os kohanim vão repetindo imediatamente após. Ao final de cada frase, toda a comunidade deve responder Amen. No entanto, em algumas comunidades existem formas do Chazan cantar as palavra do Birkat Hakohanim, palavras estas repetidas pelos Cohanim.
Além deste canto, que normalmente é aceito de forma prazerosa pela comunidade local, é também comum, algum congregante oferecer certas preces durante a recitação das palavras pronunciada nesta benção.






