
A Haftará (ou Haftorah) é uma seleção dos livros dos Nevi'im ("Profetas") do Tanakh (Bíblia Hebraica), lida publicamente na sinagoga após a leitura da Torá em Shabat, festivais e dias de jejum. A leitura, entoada com cantilação específica (trope), geralmente possui um tema relacionado à parashá (porção da Torá) da semana.
A palavra Haftarah, cuja tradução literal significa conclusão, despedida ou permissão para despedir-se (da leitura da Torá), se refere ao relato da parte dos Profetas que se lê nas sinagogas, após a leitura da Torá, nos serviços realizados nas manhãs de sábado, nas manhãs dos dias de festas, no dia de jejum de Tisha b’Av, e nas tardes dos dias de jejum, incluindo Yom Kipur.
Um dos motivos para a leitura da Haftarah, é de que devemos ler a cada dia santificado, como Shabat e Festas, conteúdos das três partes do Tanak, isto é, da Torá, dos Neviim (Profetas) e dos Ketuvim (entre eles, os Salmos).
O argumento mais aceito, porém, é o de quando o rei greco-sírio Antiocus Epifanes, que governou Israel (175 a 164 AEC) proibiu o estudo da Torá, mas não criou restrições à leitura dos Livros dos Profetas. Os rabinos, então, resolveram instituir esta leitura com trechos que de alguma forma, tinha relação com a leitura da Torá daquela semana.
Da mesma forma que na leitura da Torá aos sábados, eram chamadas sete pessoas para serem lidos, pelo menos, três versículos cada, e nos dias de Festas cinco pessoas, daí, normalmente serem lidas, até os dias atuais, 21 versículos da Haftarah aos sábados, e 15 versículos nos dias de Festas, havendo algumas exceções, como por exemplo nas Haftarot de Shabat Tshuva e de Simchat Torah.
Mesmo após a extinção da proibição da Leitura da Torá, as leituras das Haftarot foram mantidas. Mas para que as pessoas saibam que a honra pela leitura da Torá é mais importante, quem faz a leitura da Haftarah não deixa de ler, pelos menos, os três últimos passukim (versículos) da Torà, leitura esta chamada de Maftir.
A leitura da Haftarah está mencionada tanto no Talmud Bavli (da Babilônia) quanto no Yerushalmi (de Jerusalém).
E pelo que está escrito no Talmud, entende-se que havia um livro específico das Haftarot para todo o ano.
Como não se tem conhecimento de como este livro definia cada Haftarah a cada semana, e o Talmud também não especifica todas as Haftarot, com exceção das Haftarot das Festas judaicas, de alguns sábados especiais e de alguns outros, existem parashiot em que os trechos selecionados para serem lidos como Haftarah são diferentes entre os askenazim e os sefaradim. É comum ser de difícil compreensão a Haftarah, porque mais do que uma história, muitas vezes ela é uma poesia profunda, escrita na linguagem da sua época.
As leituras das Haftarot são precedidas por duas bênçãos e seguidas por outras quatro. Quando a Haftarah é feita em dias de semana, esta última bênção é omitida. Estas seis bênçãos estão contidas no Tratado Soferim. As bênçãos iniciais devem ser recitadas após a Torah ter sido vestida.
As Haftarot, tanto no rito askenazi quanto no sefaradi, possuem cantilenas específicas, tanto para a leitura quanto para as bênçãos.
Enquanto não existem restrições para as leituras das Haftarot pelos askenazim, sendo até um costume para os (as) barmitzvandos(as) lerem a Haftarah, muitas comunidades sefaradim só fazem leitura da Haftarah se forem órfãos.
Um outro costume muito comum, principalmente entre os sefaradim, é fazer a leitura da Haftarah no sábado anterior ao aniversário de falecimento do ente querido, sábado este conhecido como Shabat Nachalah.





