
O “Shema Israel”, que literalmente significa “Ouve Israel”, é a principal frase que identifica a religião judaica e a cada judeu. Ela proclama a unicidade de D’us, e foi proferida pelos filhos de Ya’akov (Jacó) no seu leito de morte, onde eles afirmam com este verso, sua lealdade ao Criador. E a palavra Israel, neste contexto, refere-se ao nome que Ya’akov (Jacó) recebeu após o seu embate com o malak (anjo).
E Ya’akov (Jacó) respondeu com as palavras “Baruch Shem Kevod Malchuto Le-olam Va’ed” (Abençoado seja o nome Daquele cujo Glorioso Reino é para toda a Eternidade).
por quê recitarmos o Shema, falamos esta frase “Baruch shem kevod malchuto le-olam va-ed” em voz inaudível?
Uma das explicações de nossos sábios é que Moshê (Moisés) não as transmitiu ao seu povo, pois observando o primeiro parágrafo do Shemá na Torá (Devarim 6:4-25), esta frase não é encontrada. Uma outra explicação dos nossos sábios, é que Moshê (Moisés) ouviu esta frase dos malakhim (anjos) e as ensinou ao seu povo. Mas nós não à dizemos porque não somos puros como os malakhim (anjos). Mas no dia de Yom Kipur, quando nós nos elevamos e nos expiamos dos pecados, nesse momento podemos recitar pois nos encontramos no mesmo nível de pureza dos malakhim (anjos), podendo dizê-la em voz alta.
Devemos notar que as letras Ain, ao final da primeira palavra Shemá, e a letra “Dalet” da última palavra Echad, estão escritas na Torá e em muitos livros de reza, em letras maiores que as outras. Estas duas letras formam a palavra ED, que significa testemunha.
- O Shemá Israel é composto de três parágrafos. O primeiro parágrafo retirado da parashá Vaetchanan, o segundo da parashá Ekev e o terceiro da parashá Shelach-Lecha.
O Shemá deve ser dito duas vezes diariamente, conforme estabelecido na Torá: “U-ve-shobecha U-ve-kumecha” - ao se levantar e aos se deitar (Tehilim 1:2), isto é, pela manhã e à noite, sendo que o Shemá da noite deve ser dito – preferencialmente, quando a noite começa, ou seja, com o surgimento de três estrelas no céu.
O Shemá completo possui 245 palavras. A fim de se completar 248 palavras, já que 248 representam o número total de ossos e órgãos do corpo humano e o número de mitzvot afirmativas das 613 definidas por Maimônides, costumamos acrescentar as três palavras “A-do-nai Eloheichem Emet” ao final do Shemá, sendo que a palavra Emet (verdade) não pertence ao 3º parágrafo que está na parashá Shelach-Lecha, apenas completa o nº. 248.
Ao se recitar o Shemá sem um minian, não se acrescentam estas três palavras ao final, mas sim, as três palavras “El Melech Ne’eman” no início do Shemá, que significam “Deus, o Rei Confiável”, e cujas primeiras letras (Alef, Mem e Nun) formam a palavra AMEN, e que literalmente significa “É Verdade”.
O costume sefaradi é de se acrescentar a três palavras “A-do-nai Eloheichem Emet”, mesmo sem minian.
Nas letras das palavras em hebraico do “Shemá Israel A-do-nai Eloheinu A-do-nai Echad”, estão definidas, também, os números das principais ALIOT de Torá que são feitas em todas as rezas.
ENTENDA:
A palavra Shemá possui três letras hebraicas (SHIN, MEM E AYIN), que são o número das aliot Torá nos dias de semana simples (as segundas e quintas), festas menores como Purim e Chanuká, e nas tardes de Minchá, quando sai a Torá, como no Shabat.
A palavra Israel, em hebraico, são cinco letras (YUD, SIN, RESH, ALEF E LAMED), que correspondem as cinco aliot dos dias de Chaguim (Sukot, Pessach, Shavuot e Rosh Hashana) quando caem em dias da semana.
A palavra A-do-nai (IUD, HEI, VAV, HEI) são quatro letras, que correspondem as quatro aliot dos dias de Rosh Chodesh, e dias de Chol Chamoed de Pessach e Sukot em dias da semana.
A palavra Eloheinu são seis letras hebraicas (ALEF, LAMED, HEI, YUD, NUN E VAV), que correspondem as seis aliot dos dias de Kipur, quando cai em dias da semana.
E as palavras A-do-nai Echad (IUD, HEI, VAV, HEI e ALEF, CHET E DALET) somam sete letras HEBRAICAS, que correspondem as sete aliot dos dias de Shabat.
Ao se deitar, deve-se recitar – ao menos, a primeira frase do Shemá Israel. O Shemá Israel é uma das primeiras rezas ensinadas às crianças, e a última reza proferida antes do falecimento.
O SHEMÁ Em Hebraico
O SHEMÁ TRANSLITERADO

O SHEMÁ TRADUZIDO EM PORTUGUÊS
Escuta, Israel, o Senhor, nosso D-us, é o único Senhor.
Bendito seja o Nome; a glória do Seu reino é para todo o sempre. (em voz baixa)
Amarás, pois, o Senhor, teu D-us, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão (tefilim), e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais (mezuzot) de tua casa e nas tuas portas.
Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar o Senhor, vosso D-us, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite. Darei erva no vosso campo aos vossos gados, e comereis e vos fartareis. Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles; Que a ira do Senhor se acenda contra vós outros, e feche ele os céus, e não haja chuva, e a terra não dê a sua messe, e cedo sejais eliminados da boa terra que o Senhor vos dá. Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão (tefilim), para que estejam por frontal entre os olhos. Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais (mezuzot) de vossa casa e nas vossas portas, Para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra.
Versão em hebraico “transliterado” in SIDUR COMPLETO, c/ org., ed. e
real. de Jairo Fridlin, SP: Ed Sêfer, 1997;




