O Kadish, quando recitado pelo Sheliach Tzibur ou Hazan, durante o serviço religioso, é uma prece para o estabelecimento do Reino de Deus, quando Sua Soberania será reconhecida em todo o globo terrestre. 

Quando recitado por um enlutado, o Kadish significa a glorificação de Deus, mesmo em tempos de pesar. Deve-se notar que não existe nenhuma referência à pessoa falecida no Kadish. 

O Kadish só deve ser recitado na presença de um minian (10 pessoas).

Existem cinco tipos de Kadish 

1 - Kadish de Rabanan 

É o Kadish do estudo, que era recitado após o término de uma sessão de um estudo nos centros religiosos. Este era o uso original do Kadish. Era uma espécie de hino, em aramaico, pois esta era a língua falada pelos judeus após o exílio babilônico, pronunciado na conclusão de um discurso religioso feito por um professor ou um rabino, que desta forma, se despedia da sua platéia com a glorificação de Deus e com a esperança Messiânica de acelerar o estabelecimento do Seu Reino. 

Nos dias atuais, este Kadish ainda tem este uso, e sendo que nas comunidades ortodoxas, ele é recitado nas rezas da manhã como primeiro e último Kadish dos enlutados. 

2 - Kadish Shalem ou Titkabel ou Kadish completo 

É o Kadish recitado pelo sheliach tzibur ou hazan ao final das rezas de Shacharit, de Mussaf, de Minchá e de Maariv ou Arvit. 

Quando um hazan faz a Amidá, e outro hazan faz o Halel, o hazan que faz a Amidá é quem normalmente recita o Kadish Shalem ao fim do Halel. 

3 - Chetzi Kadish ou meio-Kadish 

É o Kadish recitado pelo Sheliach Tzibur ou Hazan ao fim de uma seção de um serviço, e também após a leitura da Torah. Nos dias que existe leitura de Haftará, ele é dito ao término da aliah Torah que precede a leitura de Maftir, independentemente de quantos Sefarim de Torah estejam sendo lidos. 

Nos dias que não existe leitura de Haftarah, o Chetzi Kadish é dito ao término da última aliah de Torah, independentemente de quantos Sefarim de Torah estejam sendo lidos. 

4 - Kadish Iatom ou dos enlutados 

Literalmente significa “Kadish dos órfãos”, é recitado pelos enlutados no inicio da reza da manhã, e ao fim desta e das outras rezas realizadas à tarde e à noite, após o “Aleinu le-shabeach”. Pela manhã, é recitado, também, após o Salmo do dia. 

Na época do mês da Elul (que antecede o Iamim Noraim), ele é dito, adicionalmente, após a leitura do Salmo 27 e toque de Shofar, e da mesma forma, ao final da reza de Maariv. A adição deste Kadish vai até Shemini Atzeret. 

5 - Kadish le-Itchadatah (Ressurreição) ou Achar ha-Kevurah (após o enterro) ou Hu Atid (Renovação) 

As duas primeiras denominações acima são askenazim e a terceira denominação é sefaradi.

Este Kadish é uma forma expandida do Kadish dos enlutados, acréscimo este que ocorre logo após a primeira frase, e é recitado no cemitério após o enterro. 

O enlutado deve recitar o Kadish Iatom por 11 meses menos um dia, de tal forma que haverá um espaço de 30 dias antes de se completar um ano. A regra dos 11 meses se aplica mesmo para os anos “bissextos” (com Adar I e II), quando o calendário judaico possui 13 meses. Um filho adotivo tem o mesmo status de um filho natural, devendo dizer Kadish por seus pais adotivos. Em algumas comunidades sefaradim, o enlutado recita todos os Kadish, exceto o Shalem. 

A data de Yohrtzeit é sempre considerada a partir da data do falecimento, e não da data do enterro. Se ocorrer uma diferença de três ou mais dias entre o falecimento e o enterro, apenas para o primeiro ano, a data de Yohrtzeit deve ser considerada a partir da data do enterro, sendo que algumas comunidades, principalmente as ortodoxas, consideram o primeiro ano, a partir da data do enterro. Após o primeiro ano, o Yohrtzeit é sempre a partir da data de falecimento.