O Shofar é um instrumento de sopro, feito normalmente a partir de um chifre de carneiro, tocado, principalmente, na época que antecede os Iamim Noraim (Dias Intensos), culminando com o seu toque no final do Dia de Yom Kipur.

Existem várias referências ao Shofar não só na Torah (referenciado em 72 ocasiões), como nos Livros dos Profetas, no Talmud e na literatura rabínica.

A primeira referência aparece na parashat Ytro (Êxodo), Cap. 19 Vers. 13 e 16, por ocasião do recebimento dos Dez Mandamentos.

“E foi no terceiro dia, ao raiar a manhã, e houve trovões e relâmpagos, e nuvem pesada sobre o monte e o som do Shofar muito forte; e estremeceu todo o povo que estava no acampamento”.

Outra referência aparece na parashat Beha’alot’cha (Números) Cap. 10 Vers 2 onde O Criador diz para Moisés: “Faze para ti duas trombetas de prata que servir-te-ão para a convocação da congregação e para a partida dos acampamentos”.


O formato original do Shofar era curvo, como o dos chifres dos carneiros. Mais tarde, através de um processo especial, incluindo aquecimento, produziu-se shofarot com formato retilíneo. E na época do Segundo Templo, usavam-se ambos os tipos de Shofar.

O Shofar soprado no Templo sagrado no Ano Novo, conforme estabelecido na parashat Emor (Levítico), Cap. 23 Vers 24 “Fala aos filhos de Israel dizendo: no sétimo mês (Tishrei), o primeiro dia do mês será para vós descanso solene, memorial de toque de Shofar, convocação de santidade”, era feito de chifre de cabra, retilíneo, com seu bocal coberto com ouro.

E ao lado deste tipo de Shofar, havia duas outras trombetas de prata, chamadas de “chatzrotrots”. O Shofar soprava uma nota longa e as trombetas de prata, as notas curtas, conforme descrito no Talmud, Tratado de Rosh Hashaná.

Após a destruição do Templo pelos romanos, o embelezamento dos shofarot com ouro e prata, ou qualquer outro ornamento, foi proibido.

Os rabinos mantiveram a prática do toque de Shofar feito a partir do chifre do carneiro, estabelecendo significados especiais em tocá-lo em Rosh Hashaná.

ENTRE ESTAS RAZÕES, INCLUEM-SE:

• Lembrar-nos simbolicamente da promessa do Criador, feita aos nossos patriarcas, do povo de Israel ser numeroso como as areias do deserto e as estrelas do céu.

• Lembrar-nos da relação próxima entre o Criador e Abrahão, e o aparecimento do carneiro para ser sacrificado por Abrahão no lugar do seu filho.

• Conectarmos com a esperança que, num tempo futuro, o profeta Eliahu Hanavi vai soprar o Shofar, anunciando a vinda do Mashiach.

• E a mais importante, trazer-nos a consciência do arrependimento por atos indevidos por nós praticados, e nos voltarmos para o Criador, que está sempre pronto para receber nossas penitências.

Embora a primeira associação que fazemos ao Shofar seja do início do mês de Elul à Rosh Hashaná e ao final de Yom Kipur, seu uso em outras ocasiões da História Judaica deve ser mencionado.


Tocava-se o Shofar quando o acampamento tinha que ser movimentado.

Na época do Talmud, tocava-se o Shofar em todos os dias de jejuns públicos, nas festas de Sukot, nos dias de Rosh Chodesh, e para marcar o fim do Shabat.

Mais recentemente, costuma-se tocar o Shofar, em alguns locais, por ocasião do Yom Hazikaron (Dia da Recordação) e Yom Ha’atzmaut (Independência do Estado de Israel).

No início do mês de Elul, o Shofar é tocado diariamente, exceto aos sábados, após a leitura do Salmo 27, no final da reza de Shacharit (manhã).

A palavra Shofar vem da raiz hebraica shiper que significa melhorar, aprimorar. Daí, ao ouvirmos o som do Shofar, devemos nos concentrar completamente, buscando tornar-nos pessoas melhores.

Alguns costumam pedir por saúde e prosperidade, outros, pelo enobrecimento de suas vidas e contínuo melhoramento de suas ações e preces. E muitos costumam desejar que o ano que está por vir, seja um ano de paz e prosperidade para todos, para Israel e para toda a Humanidade.

O Shofar pode ser feito de chifre de qualquer animal casher, com exceção da vaca ou bezerro, tendo em vista o pecado do “bezerro de ouro”. O mais comum é fazê-lo a partir de chifre de carneiro, já que o carneiro está associado ao sacrifício de Itzchak.

O Shofar não pode ser pintado, mas pode ter desenhos nele esculpidos, conforme estabelecido pelo Shulchan Arur. A parte externa do Shofar pode ser coberta com ouro, contanto que o seu som natural não seja alterado, e seu bocal sem nenhuma cobertura.

O Shofar não pode ser utilizado se possuir quebras ou rachaduras ao longo do seu comprimento, a menos se houver um espaço mínimo, entre a parte danificada e o bocal, equivalente ao comprimento mínimo exigido para um Shofar, que é de cerca de 15 cm.

Também não pode ser utilizado o Shofar se possuir uma rachadura/quebra em torno da sua largura, com dimensões superiores à metade da sua largura, a menos que exista aquele comprimento mínimo exigido, até o bocal, sem estar danificado.

Não existe nenhuma prescrição pertinente ao tipo de som que um Shofar deve produzir. E o som produzido por um Shofar tipo sefaradi, normalmente com curvaturas mais acentuadas do que a maioria dos Shofarot existentes, é diferente do som askenazi.

Existe um procedimento bem definido para o toque de Shofar em Rosh Hashaná.

Após a leitura da Haftarah, muitas comunidades costumam ler o Salmo 47, porque o verso “Alah Elohim Bit’ruah Adonai Bekol Shofar” (O Criador subiu com júbilo. O Criador subiu ao som do Shofar) é interpretado pelo Midrash como uma referência do som do Shofar em Rosh Hashaná. E este Salmo é repetido sete vezes.

Antes dos toques do Shofar, que deve estar coberto até a hora de ser tocado pelo Ba’al Tekiah, são realizadas duas berachot: “Lishmoa kol Shofar” (ouvir o shofar) e Shehecheianu.


EXISTEM BASICAMENTE, TRÊS TIPOS DE TOQUES DE SHOFAR, CONHECIDOS MAIS GENERICAMENTE COMO TEKIOT:

1 - Tekiah – um som contínuo que leva em torno de 3 segundos;

2 - Shevarim- uma série de três sons quebrados, de cerca de 1 segundo cada, totalizando cerca de 3 segundos, isto é, o mesmo tempo de uma tekiah;

3 - Teruah: Sucessão rápida de nove sons, e cuja duração total equivale ao mesmo tempo de uma tekiah;

O Shofar também é tocado na Amida de Mussaf. Mais especificamente, nas três partes chamadas de Malchuiot, Zichronot e Shofarot.

A maioria das comunidades judaicas faz, no total, 100 toques de Shofar em cada dia de Rosh Hashaná, havendo variações nas formas askenazi e sefaradi de agrupar estes toques.

Por ex., muitos askenazim não costumam fazer o toque de Shofar na Amida silenciosa de Mussaf. Só na repetição. Os sefaradim tocam o Shofar em ambas.

E ao final da reza, a obtenção dos 100 toques é concluída, com 10 toques após o Kadish Titkabel. E em muitas comunidades sefaradi, se fazem um toque a mais de Tekiah Gedolah (Grande Tekiah), ao final da reza, totalizando 101 toques.

No dia de Kipur, O Shofar só é tocado ao final da reza da Neilá.

Como o importante é ouvir o toque do Shofar, deve-se evitar olhar para o “Ba’al Tekiah” (pessoa que toca o Shofar).

No costume askenazi, o “Ba’al Tekiah” cobre a cabeça com o talit ao fazer os toques do Shofar. E em muitas comunidades sefaradi, o “Ba’al Tekiah” não cobre a cabeça com o Talit.

Pode-se tocar o Shofar sem a presença de um minian.