No Maariv de uma sexta-feira normal, são incluídas algumas rezas antes do “Barechu”, como alguns Tehilim (Salmos), Lecha Dodi, e o Salmo 92 (Mizmor shir le-iom ha-shabat). Em algumas comunidades, acrescenta-se também a canção Ana Bechoach. E caso coincida com alguma festividade considerada como Iom Tov (Chag), muitas comunidades começam logo no Salmo 92 (Mizmor shir le-iom ha-shabat).

Também deve-se recitar “ve-sham’ru b’nei Israel et ha shabat” (E os filhos de Israel manterão o Shabat).

Se for Iom Tov (Chag), os askenazim recitam logo em seguida a frase da parashat Emor 23:44 “Vaidaber Moshê et moadei A-do-nai el b’nei Israel” (E Moisés declarou as festividades apontadas pelo Criador para os filhos de Israel). Já no caso de muitos sefaradim, esses substituem a mesma frase por uma outra da mesma parashat, no passuk (verso) 04; o qual diz: “Eleh moadei A-do-nai mik’raei kodesh asher tik’reu otam be-moadam” (Estas são as solenidades do Criador, as sagradas convocações que proclamareis no seu tempo determinado). Na sequencia, segue-se com o Chetzi Kadish e a Amida silenciosa de Kabalat Shabat.

NOTA:
Não devemos esquecer que, desde o “Barechu” até o final da Amida silenciosa, não se deve pronunciar “Barechu Baruch Shemo”.

Logo após a Amida, se pronuncia as seguintes palavras: “Vaichulu ha-shamaim ve-ha-aretz ve-chol tseva’am” (Céu e Terra foram criados), – seguida de uma reza, que é um resumo das sete berachot (bênçãos) dentre as 19 que são ditas na Amida dos dias de semana. Seguimos então, com o Kadish Shalem (Titkabel), Aleinu le-shabeach e Kadish Iatom (dos enlutados).

A noite de sexta-feira deve se encerrada com um Kidush na sinagoga ou em casa, onde deve conster na mesa os seguintes itens: vinho ou suco de vinho kosher, 02 (duas) chalot (pães de shabat) e sal paras ser colocado sobres as chalot antes da berachá específica.

NOTA:
No Maariv das noites de shabat (sábado), em muitas comunidades sefarditas, inicia-se com recitações de vários Tehilim (Salmos) de David.

Em seguida, faz-se o “Barechu” – e a reza é igual aos dias de semana, até o final da Amida silenciosa, não esquecendo de incluir a reza de “Ata chonan’tanu” (O Senhor nos agraciou!), no meio da bênção “Ata chonen” da Amida. Esta reza “Ata chonan’tanu” é considerada como a primeira saída do shabat. Após a Amida, recita-se o “Chetzi Kadish” (meio-Kadish). Fala-se então “Vihi noam A-do-nai” (Possa o esplendor do Criador), que é o último verso do Salmo 90, e “Ioshev be-seter” (onde se assenta), que é o Salmo 91.


Seguimos então com “Ve-ata Kadosh” (Sagrado Criador), que é a parte logo após o início da reza “Uva le-Tzion”, dita nas manhãs de Shacharit dos dias de semana. O início da reza “Uva le-Tzion” não é dita, porque ela fala de redenção, e não se espera que esta redenção ocorra à noite. Em seguida, o Sheliach Tzibur recita o “Kadish Shalem” (Titkabel), “Aleinu le-shabeach” e “Kadish Iatom” (dos enlutados). Encerrando a noite de shabat (sábado) com a Havdalah.

HAVDALAH

Embora o trabalho seja permitido após a recitação dos versos “Atá Chonantanu” na Amidah de Maariv, a conclusão formal do Shabat é marcada pela cerimônia de Havdalah, que literalmente significa “diferenciação”. E “Atá Chonantanu”, é inserida nos versos de sabedoria “Attá Chonen” da Amidah, para que o ser humano use esta sabedoria para fazer as distinções corretas.

A Havdalah que faz a distinção entre o dia sagrado do Shabat dos dias costumeiros da semana, é realizada semanalmente a partir do surgimento das 3 estrelas no céu. Ainda costuma-se usar na Havdalah um copo de vinho, uma vela com pavios entrelaçados ou 02 (duas) velas comuns com as suas chamas se tocando, e algum tipo de especiaria aromática, tipo o cravo ou a canela. Ou mesmo alguma especiaria semelhante.

Ao iniciar a Havdalah apaga-se todas as luzes, e com a vela acesa, segura-se o copo de vinho e fala-se os versos que começam com “Chinê el Yeshuati”. Logo após recita-se a berachá (benção) de “Borê Peri Hagafen” (a benção do vinho). Da mesma forma que a chegada do Shabat é saudada com a bênção do vinho, a Havdalah também. Fazendo isso, logo em seguida recita-se a berachá “Borê Minei Bessamim” e cheira-se as especiarias.

Um dos motivos de se cheirar a fragrância das especiarias, é que o seu odor é agradável para a alma, lhe proporcionando alegria ao final do Shabat, ou, segundo a tradição cabalística, pela “partida” da ‘Neshamá Ieterah” (alma adicional) ganha no Shabat (Gênesis 28:11-16).

Ao ser proferida a berachá “Borê Meorêi Haesh” (criaste luzes de fogo), levanta-se as mãos olhando-se para o reflexo da luz sobre as nossas unhas, e cujas sombras criadas nas palmas, mostram a diferença entre a luz e a escuridão. Como a palavra “Meorêi” está no plural, usa-se vela com mais de um pavio. Isto, porque a chama do fogo tem várias cores. E a luz está relacionada com o primeiro dia da semana da Criação. Termina-se então com a berachá “Kodesh Lê-Hol”, que lista uma série de diferenciações que o Criador fez o sagrado e o costumeiro, a luz e a escuridão, e entre o Shabat e os demais dias da semana. Bebe-se o vinho e apaga-se a vela mergulhando-a no copo.

NOTA:
É costumeiro recitar canções no fechamento da Havdalah, com as músicas “Hamavdil Ben Kodesh” e “ Eliahu Hanavi”, – sendo que, ”Eliahu Hanavi” em muitas comunidades, como a nossa, é também cantada na abertura da Havdalah. Ao clamar por Eliahu Hanavi (o profeta Elias), espera-se que ele seja o anunciador dos tempos messiânicos, mas que não ocorrerá em um Shabat, mas sim, ao que se acredita entre os cabalistas, em um Rosh Hashaná será marcado com o início da Era de Machiach, quando haverá o toque do shofar durante o Yom Teruá (Joel 2:1).


A Havdalah é realizada também ao fim de cada festa judaica, que ocorrem em dias de semana e ao fim de Tishá B’Av, – quando este ocorre durante o dia de domingo. Mas nestes casos, os versos introdutório de “Hinê el Ieshuati”, bem como a vela e as especiarias, com as respectivas bênçãos, são todos omitidos. Já na saída de Yom Kipur, e que não tenha coincidido com o Shabat, os versos introdutórios e a especiarias são omitidos.

NOTA:
Existe sefaraditas que não omitem a berachá destas especiarias, mas a bênção com a vela deve ser feita com uma chama tirada de outra que tenha sido acessa antes do Kipur. Se esta outra chama não existir, não se faz a bênção da vela. E embora a berachá sobre a chama feita após o Shabat e após o Yom Kipur seja a mesma, na essência, elas são diferentes.

Enquanto na berachá após o Shabat é feita sobre um fogo para louvar o Criador que inspirou Adam (Adão) logo após o término do Shabat, a esfregar 02 (duas) pedras para gerar o fogo, a berachá após o Yom Kipur é para demonstrar que o fogo que estava proibido durante todo o Yom Kipur, – mesmo para cozinhar, diferentemente das outras Festas judaicas, este fogo agora é permitido. Então, para não ser quebrada esta continuidade da proibição completa do fogo, em todo o Yom Kipur, concede-se acender uma vela de uma já esteja acesa antes de Yom Kipur[1], e não sobre uma chama acesa após o Yom Kipur, para demonstrar que este fogo era proibido de ser usado até este momento, e que, de agora em diante, ele é permitido.

[1] – Nós costumamos usar uma vela de 07 (sete) dias em yom tov, pois ajudará na transferência do fogo.

NOTA:
Ao se fazer a Havdalah em casa, é costume em algumas comunidades fazer a berachá “Borê Meorêi Haesh” utilizando-se a luz incandescente (e não fluorescente) caseira, em vez das chamas da vela.
 
A Havdalah de Shabat em Pessach e Sukot que ocorre em “Chol Chamoed”, e é igual aos sábados normais, apenas não dizemos “Vihi Noam” nem “Atta Kadosh”, pois estas rezas só são proferidas quando seguidas de “Sheshet Iemei Ha-ma-assê”, isto é, seis dias de semana sem haver interrupção por alguma Festa. Isto é válido também quando o segundo dia de Shavuot ocorrer num sábado.


NOTA:
Não se costuma fazer kidush na sinagoga nas 02 (duas) primeiras noites de Pessach, pois presuma-se que todas as pessoas façam kidush na própria casa, ou em casa de amigos ou parentes.
 
E caso a primeira noite de Pessach ocorra num shabat (sábado), como qualquer outra festividade que ocorra no sábado à noite, como a segunda noite de Rosh Hashaná, a berachá da Havdalah está incluída na reza do Kidush. E quando Purim começar no sábado à noite, após a Amida diz-se o Kadish completo (Titkabel), lêndo-se logo após a Meguilah de Esther.

Após a leitura da Meguilah de Esther, diz-se “Vihi Noam”, “Atta Kadosh”, o Kadish completo sem dizer a frase Titkabel. Faz-se a Havdalah normal das noites de sábado, e termina-se com Aleinu. Em Chanuká, a Havdalah feita no sábado à noite é normal. Se as especiarias e a vela não estiverem disponíveis, pode-se recitar a Havdalah fazendo a bênção do vinho. E caso não haja vinho disponível, pode-se fazer a benção com qualquer outra bebida, que não seja água. Substituindo a berachá (bwnção) de “Borê Peri Hagafen” por “ Shehakol Nihiê Bidvarô”.

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